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3º Simpósio Científico sobre NP-C

Progredindo da Investigação para Benefícios Clínicos


Decorreu de 8 a 10 de Abril de 2011, em Praga, o 3º Simpósio Científico sobre NPC, o qual incluiu a apresentação das mais recentes evidências em termos de tratamento e cuidados, seguimento de doentes, detecção e diagnóstico, e marcadores da doença. “Apesar de uma maior detecção de doentes, nomeadamente de doentes adultos, a detecção precoce da doença continua a constituir um objectivo importante”, referiu o Dr. Mark Walterfang, Neuropsiquiatra no Royal Melbourne Hospital, em Melbourne, Austrália, sublinhando “o longo e frustrante caminho que muitos doentes percorrem até ao diagnóstico e início de tratamento”.


Tratamento e Cuidados da NP-C

O miglustato continua a ser a única terapêutica específica aprovada para o tratamento das manifestações neurológicas da NPC, atrasando a progressão da doença sobretudo em jovens e adultos, mas também na primeira infância. A terapêutica deve ser mantida enquanto houver benefícios clínicos e segurança.

Sendo esta uma doença complexa e multi-sistémica, é necessário verificar quais as prioridades do doente e sua família, de modo a melhorar a qualidade de vida e condições psicossociais, e ver na prática o que pode ser feito para minimizar as perturbações (dor, aborrecimento, dificuldades na deglutição, na fala, no controlo motor fino e na mobilidade). Nomeadamente, pensar em como adaptar as actividades da vida diária, como o vestuário (ex: fecho éclair em vez de botões), a casa-de-banho (duche em vez de banheira), a preparação da comida (dieta vegetariana), a vida social (actividades de grupo) e comunicação (skype), e ajudas à locomoção, de modo a manter o doente o mais independente possível.

Relativamente a terapêuticas alternativas, estudos recentes demonstraram a eficácia da 2-hidroxipropil-ß-ciclodextrina (HPßCD) em modelos animais, havendo também estudos a decorrer acerca da sua utilização em combinação com o miglustato. Outras possíveis estratégias terapêuticas futuras incluem a Rab-9; anti-oxidantes, agentes anti-apoptose e anti-inflamatórios; curcuma; chaperones, ou terapia génica.


Detecção e diagnóstico

Como exames de primeira linha, temos os oxisteróis e os testes genéticos, realizando-se o teste de filipina em casos difíceis ou no caso de novas mutações. Actualmente, estão a ser desenvolvidos sequenciadores de DNA de nova geração, que podem obter resultados em apenas 48 horas.

Os biomarcadores são essenciais na redução do tempo até ao diagnóstico da NPC, na monitorização da progressão da doença e no desenho de ensaios clínicos. Além dos oxisteróis, outros biomarcadores em investigação são o lysotracker (mede o volume de compartimentos acídicos endossomais/ lisossomais); a Tau e ß-amilóide (proteínas do LCR, para análise de neurodegeneração); e BMP, ceramida ou cardiolipina (análise lipidómica de macrófagos).


Seguimento dos doentes

Na primeira observação, é necessário colher uma boa história clínica, realizar um exame objectivo atento, aplicar a escala de incapacidade funcional (deambulação, linguagem, manipulação, deglutição) e testes cognitivos (testes de fluência verbal e trail-making numa fase precoce; teste mini-mental quando memória e orientação alteradas). Perante estes resultados, realizar testes bioquímicos, análise genómica, estudos imagiológicos (ressonância magnética cerebral com espectroscopia), ou estudos neurofisiológicos (EEG).

A forma adulta tem sido cada vez mais diagnosticada, sendo os sinais neurológicos mais comuns do que os psiquiátricos. Deve suspeitar-se de NPC na presença de um sinal específico (esplenomegália, história de colestase neonatal, paralisia do olhar vertical supranuclear ou cataplexia) ou na presença de um sinal de envolvimento cortical (epilepsia, demência, psicose, disfunção do lobo frontal) e um sinal de envolvimento do cerebelo/ gânglios da base/ tronco cerebral (ataxia “lenta”, combinada com distonia, disartria, alterações do movimento).

O Dr. Olivier Bonnot, Pedo-psiquiatra do Grupo Hospitalar Pitié Salpétriere, em Paris, França, apresentou um algoritmo diagnóstico de forma a ajudar os psiquiatras. O primeiro passo é identificar sintomas esquizofrénicos que possam ser atípicos:

  • sintomas atípicos de primeira ordem: alucinações visuais, confusão mental, catatonia, sintomas flutuantes, deterioração cognitiva progressiva e resposta invulgar ao tratamento

  • sintomas de segunda ordem (apenas considerados atípicos se associados a pelo menos um dos sintomas de primeira ordem): ineficácia do tratamento, início precoce ou agudo, e incapacidade intelectual.

Na sua presença, deve-se procurar sinais físicos e neurológicos que possam corresponder à NPC, tais como atraso do desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem, alterações motoras e alterações da fala.


Quais os doentes para referenciar?

O Prof. Frits Wijburg, do Academic Medical Centre, em Amesterdão, Holanda, apresentou pela primeira vez um algoritmo – ainda em desenvolvimento –, delineado conjuntamente por vários especialistas, com o objectivo de aumentar o conhecimento dos sinais e sintomas chave da NP-C dos não-especialistas, e criar um score preditivo para a sua identificação, de modo a aumentar o índice de suspeição e levar a investigações subsequentes. O algoritmo compreende três categorias de sinais e sintomas: viscerais, neurológicos e psiquiátricos. Para cada categoria, os sinais/ sintomas estão designados como indicadores major, intermédios ou minor, de acordo com a sua sensibilidade e especificidade, recebendo diferentes pontos conforme o seu peso (ex.: os indicadores major viscerais são colestase neonatal prolongada inexplicada e esplenomegália isolada inexplicada; os major neurológicos são paralisia do olhar vertical supranuclear e cataplexia gelástica; os major psiquiátricos são deterioração cognitiva ou demência). Mais pontos são adicionados ao score final, no caso de haver história familiar ou mais do que uma categoria afectada, sendo depois analisados de acordo com um cut-off preditivo.