Início > Notícias

Decorreu em Barcelona o 2º Simpósio Científico sobre NPC

O 2º Simpósio Científico sobre NPC, “Redefinir a natureza da doença – Do diagnóstico ao tratamento”, decorreu de 7 a 9 de Maio de 2010, em Barcelona. Durante estes dias, foram abordadas as mais recentes evidências em termos de diagnóstico e tratamento da doença, permitindo o encontro e discussão das várias especialidades. Na abertura deste simpósio, a Dr.ª Frances Platt, da Universidade de Oxford, Reino Unido, destacou os actuais desafios da doença, nomeadamente a detecção precoce, sobretudo nos casos oligosintomáticos ou com sintomas psiquiátricos, particularmente em doentes adultos, e a definição de uma abordagem terapêutica e follow-up comuns.

Para facilitar o diagnóstico, está a ser realizado um algoritmo, baseado nos sintomas e sinais da doença, que permitirá obter uma pontuação a partir da qual se decidirá quanto à realização dos testes diagnósticos.

Poderá então recorrer-se aos biomarcadores, tais como os oxisteróis. Segundo o Dr. Daniel Ory, do Departamento de Medicina, da Universidade de Washington, em St. Louis, MO, Estados Unidos, “os oxisteróis, produtos resultantes da oxidação do colesterol, estão aumentados na NPC, estando este aumento correlacionado com a idade de início da doença e com a gravidade da mesma. Desta forma, os oxisteróis podem constituir os primeiros marcadores bioquímicos para a NPC, permitindo assim uma detecção precoce da doença e podendo ser utilizados em ensaios clínicos, de forma a monitorizar ou avaliar terapêuticas, ou ainda ser utilizados como rastreio neonatal para a NPC”.

Como alternativa ou adjuvante aos biomarcadores num possível rastreio em doentes com menos de 2 anos e colestase ou insuficiência hepática ou espleno- ou hepatomegalia isolada, foi apresentado um método que permite a sequenciação de múltiplos genes numa única análise, o que permite diminuir os custos e tornar o processo mais rápido. Um método semelhante poderia vir a ser desenvolvido para doentes com ataxia ou sintomas psiquiátricos.

A NPC, apesar de menos frequentemente, também ocorre em adultos, apresentando-se como psicose em 25-40% dos casos, sendo, contudo, normalmente diagnosticada como esquizofrenia. É, deste modo, fundamental que os psiquiatras realizem o exame neurológico, e tenham em consideração os indicadores clínicos de uma componente orgânica, nomeadamente um início precoce ou uma evolução grave; resistência ao tratamento; existência de sintomas motores e cognitivos para além dos esperados pelo diagnóstico de esquizofrenia e medicamentos antipsicóticos; sintomas atípicos; sinais cerebelosos; oftalmoplegia vertical supranuclear, de modo a evitar que estes casos demorem anos a ser correctamente diagnosticados. Aliás, na presença de oftlamoplegia vertical supranuclear num caso de psicose, deve considerar-se NPC até prova em contrário.

Quanto ao modelo actual da patogénese da NPC, a mutação ou inactivação da NPC1, um provável transportador da esfingosina, leva ao armazenamento da esfingosina lisossomal e à diminuição do cálcio nos lisossomas. Tal resulta num transporte endocítico deficiente, o que leva à acumulação de colesterol e glicoesfingolípidos, e por sua vez à neurodegeneração. Esta complexidade permite a identificação de novos pontos de intervenção terapêutica e o desenvolvimento de potenciais agentes terapêuticos, tais como chaperones; moduladores do cálcio (curcumina); up-regulators da Rab9; AINEs (ibuprofeno) e anti-oxidantes (N-acetilcisteína), importantes na fase de neuroinflamação e neurodegeneração. No futuro, estes agentes poderão vir a ser usados em combinação com o miglustato, o único aprovado actualmente, e com eficácia e segurança demonstrada no atraso da progressão da doença neurológica.